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domingo, 15 de julho de 2012

>O homem Jesus


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Ele era instigante, um especialista em romper o conformismo. Ele não ensinava passivamente: provocava a sede psíquica, a busca pelos segredos da existência, o esfacelamento do autoritarismo religioso.


Cada parábola aguçava a curiosidade, colocava combustível na sede de desvendar de homens e mulheres, intelectuais e iletrados, puritanos e transgressores. Cada frase curta provocava o apetite intelectual. Seus discípulos eram rudes, toscos, incultos, impulsivos, desprovidos de generosidade e de afetividade. Mas diariamente Jesus os abalava.


Pedro, André, Tiago e João sabiam navegar no mar da Galiléia, mas o homem Jesus queria que aprendessem a navegar no Oceano das crises existenciais, das fobias, das ansiedades e frustrações.


E quem sabe navegar nos tempos atuais? Uns afundam no sentimento de culpa; outros, no endeusamento de si mesmos. Uns sucumbem na timidez; outros, na ousadia inconseqüente.


Diariamente os discípulos se perguntavam: Quem sou eu? O que sou? Quais minhas escolhas e intenções ocultas? Quem é esse homem que sigo? Que mistérios o cercam? Por que fala em parábolas? Por que nos escandaliza estreitando laços com pessoas socialmente rejeitadas, leprosos, prostitutas? Por que questiona os religiosos? Por que procura sempre se ocultar e não aceita elogios superficiais?


O melhor educador é o que gera uma fonte de perguntas em seus alunos, e não o que é uma fonte de respostas prontas, As respostas prontas produzem servos; o questionamento, pensadores. Jesus deu poucas respostas, mas provocou inúmeras perguntas.


No sermão da Montanha, no qual está inserida a conhecida oração do PAI NOSSO, o Mestre dos Mestres queria dar um choque intelectual, e não apenas espiritual, na humanidade. Queria desengessar a mente Humana para que os homens e mulheres, religiosos e céticos enxergassem Deus, a existência, e as relações sociais por múltiplos ângulos.


Todo ser humano cria um Deus no seu imaginário, mesmo os céticos. Um Deus que freqüentemente é distante e alienado, ou tirânico e controlador. Em seu vibrante discurso no alto da montanha, Jesus queria que o intelecto humano alçasse vôo para descobrir que  o enigmático Autor da existência é um Deus generoso, afetivo, sensível, altruísta, e solitário. Todos os que ouviram ficaram perplexos com sua apresentação. O Deus de Jesus não cabia no imaginário de religiosos e ateus.


A Oração do Pai Nosso, esfacelou preconceitos religiosos e filosóficos. Considerando a complexidade dos segredos dessa curtíssima e misteriosa oração, AUGUSTO CURY, dividiu os textos em dois livros: Os segredos do Pai Nosso; A solidão de Deus e A Sabedoria nossa de cada dia – Os segredos do Pai Nosso: Aprendendo a superar os conflitos humanos.

(a) J Araújo



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